Você juntou algum dinheiro e quer começar a investir. Pesquisou um pouco e já ouviu falar em Tesouro Direto e CDB. Agora a dúvida: qual é melhor? A resposta honesta é: depende — e este artigo vai te mostrar exatamente do quê.
O que é o Tesouro Direto?
O Tesouro Direto é um programa do governo federal que permite a qualquer brasileiro comprar títulos públicos pela internet a partir de R$ 30. Quando você investe no Tesouro, está emprestando dinheiro ao governo, que te devolve com juros em uma data futura.
Existem três tipos principais de títulos:
- Tesouro Selic: rende conforme a taxa básica de juros (ideal para reserva de emergência — liquidez diária)
- Tesouro IPCA+: rende a inflação (IPCA) mais uma taxa prefixada (ideal para longo prazo)
- Tesouro Prefixado: taxa fixa definida na contratação (bom quando a Selic tende a cair)
O que é o CDB?
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos. Você empresta dinheiro ao banco, que te remunera com juros. A maioria dos CDBs rende um percentual do CDI — geralmente entre 90% e 140% do CDI, dependendo do banco, prazo e valor aplicado.
Regra geral: CDBs de bancos grandes (Itaú, Bradesco, BB) pagam menos que CDBs de bancos médios e fintechs, que competem pela captação oferecendo taxas melhores.
Segurança: quem protege cada um?
Este é um ponto crucial para o pequeno investidor:
- Tesouro Direto: garantido pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelo próprio governo federal. É considerado o investimento mais seguro do Brasil
- CDB: garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição. Se o banco quebrar, você recebe de volta até esse limite
Na prática, para quem investe até R$ 250 mil, ambos oferecem proteção robusta. Acima disso, o Tesouro tem vantagem clara.
Tributação: o IR afeta os dois da mesma forma
Tanto Tesouro Direto quanto CDB seguem a tabela regressiva de Imposto de Renda sobre os rendimentos:
- Até 180 dias: 22,5% de IR sobre o lucro
- De 181 a 360 dias: 20% de IR
- De 361 a 720 dias: 17,5% de IR
- Acima de 720 dias: 15% de IR
Conclusão: quanto mais tempo você mantiver o investimento, menor será o impacto do IR. Para ambas as modalidades, o longo prazo é sempre mais vantajoso do ponto de vista fiscal.
Simulação comparativa (referência 2026)
Considerando Selic a 13,25% ao ano e CDI próximo à Selic:
- Tesouro Selic (1 ano): ~11,2% líquido após IR de 20%
- CDB 100% CDI em banco grande (1 ano): ~10,5% líquido
- CDB 115% CDI em banco médio (1 ano): ~12,1% líquido
- CDB 130% CDI em fintech (1 ano): ~13,7% líquido
Um CDB de 115% do CDI ou mais já supera o Tesouro Selic em rentabilidade líquida — desde que dentro do limite do FGC.
Quando escolher cada um
Tesouro Selic: sua reserva de emergência. Seguro, líquido, sem risco de perda.
Tesouro IPCA+: seu objetivo de longo prazo. Protege o poder de compra do dinheiro ao longo de décadas.
CDB de banco grande: alternativa à poupança, com liquidez e rendimento melhor.
CDB de banco médio/fintech com taxa alta: para quem já tem reserva e quer potencializar o retorno dentro do limite do FGC.